Versos, frases, sirenes, lições de moral, tiros no pé, entre outras coisas. Colagens de textos, sons, personagens e lugares. Monólogo com imagens e distorções, deja-vus. Não há caos.
.alguma coisa. é uma performance feita a partir de fragmentos de vidas comuns: diálogos, pensamentos, palavras, frases e peitos lidos e escutados.
Conceito? Qual conceito? Pra quê conceito?
As funções do objeto não são apenas aquelas projetadas.
Calma, calma, calma,
Calma, (...), palmas, palmas, calma, (...)
Alguma coisa.
Tem que levar este cimento lá pra cima.
Tem que subir com este cimento e essa pá.
Pedreiros edificam a casa última daqueles que não mais
o som das ferramentas ritmado evoca tic-tacs do relógio
em meio a tantas pedras e metais,
as pedras retas e os metais formando estátuas;
num tumulo não-feito, a terra cobre
em montes que não lembram a mão humana
trevos nascem, de tamanhos diferentes
alguns com marcas, como é das coisas vivas
e todos eles com três folhas, todos verdes
a sorte
é a mesma
pro que vive
(Você tem 486 amigos)
Essa franja ficou legal.
Bem Malu Magalhães.
Quer cortar sua franja?
Não, sua frase.
(Você tem 487 amigos)
No princípio era o verso.
Qualquer um servia.
Apeguei-me àquele,
que meu pai fumaça.
(Você tem 488 amigos)
Mamãe fiz um poema
juntando um montão de rima;
nenhuma menina me amou.
Me bota na aula de esgrima?
(Você tem 489 amigos)
Não é Freud quem diz
haver relação entre o coice e a mula?
Esse é o problema do ator:
não há tom de voz nessa fala.
(Você tem 490 amigos)
Cri, cri, grita o grilo
se é que o grito canta
e quanto mais canta o grilo
mais a lua levanta
(Você tem 491 amigos)
Sinto a barba nascer
como o pingar da pia
gota a gota ao esgoto
cabelos à luz do dia
(Você tem 492 amigos)
Aurora siga a cinza
enquanto há pigarro
o canto do grilo esfumaça
descendo o primeiro carro
(Você não sou eu)
O frentista muda de carro várias vezes ao dia.
O artista muda de cara várias vezes ao dia,
O artista bananeiro pensa, pensa...
Primeiro a plástica, depois a presidência.
(Você tem 911 amigos)
Luís,
agora dê-me as Chávez da usina e do porto.
Que Moral és esta?
A lhama, este jumento andino.
(Você tem um foro de amigos)
O ministério da saúde adverte:
fumar causa câncer de votos.
E aí barrigudo,
parou por não ter camisinha?
“O preço da liberdade é o eterno delito.”
Miguel Reale Júnior
(Você tem 913 amigos)
Deus, parece que tem um elefante aqui.
Fotos de Guarapari?
Não, de Cabo Frio.
Um tiro na cabeça é mais educativo
Quem reage amigo é.
(Você tem 20 mil amigos)
Se o Gmail explode
ficarei sem pernas.
Mesmo os meus amores,
Eu me esquecerei.
(Você tem um milhão de amigos)
Certamente esta cidade
é cinza, ou quase.
Tem uma vírgula caindo
(Você tem um bilhão de amigos)
Cumprindo seu dever
tombou por São Paulo.
Ampare-o, Senhor.
(Você tem seis bilhões de amigos)
sobe tranqüila e entorta
num salto
sobre a porta.
(Você tem quantos | amigos quer)
- Agora vem a hora que eu falo um monte de coisas soltas, que ninguém entende, e o som é tão alto que é impossível perceber ou perguntar...
Eco / eco /seco / eco / seco / seco
Simples | Mente | Belo | Belo | Filho | Olho
Olho | Filho | Belo | Belo | Mente | Simples
Concreto Arnaldo: um saco.
Tem que levar este concreto lá pra cima?
(Você tem uma irmã e uma meia.)
Você está com pressa? Não, eu ando rápido.
Você tem medo de escuro? Não, de pessoas.
Você é artista? Não como a sua mãe.
Você é artista? Depende de quem vê.
(Você não sou eu quando eu sou você.)
Alguma coisa entre ombigo
Alguma coisa entre o umbigo e a garganta
Lavar, secar, picar, fritar, pra depois cozinhar:
logística do quiabo.
Cadeira é uma arma difícil.
(Você tem amigos)
Desvio ao nariz vermelho
desvio ao olho vermelho.
Um dia eu fumei maconha
E sinto: virei artista.
TROCA
Um dia eu fumei artista
E sinto: virei maconha.
TROCA
Mamãe, fiz um poeta
Juntando um montão de guimbas.
TROCA
(Você tem amigos!!)
Eu acredito... por amor
Palácio dos sentidos não é uma organização militar,
muito menos uma seita apocalíptica,
mas uma casa de leilões
de porcos.
De doido e de louco todo mundo tem um porco.
De doido e de louco todo mundo tem um corpo.
Ah... A legislação contempla isso.
Idiota vaias em vão.
(Você e os seus amigos)
Penso muito no fim, às vezes.
(Você é um doidão mesmo)
Penso muito no fim, às vezes.
Vamos nos encontrar
Melhor morrer de câncer que afogado
Vamos nos ver
Cada musica tem seu caráter.
Vamos tomar uma
Cê ta achando que só porquê cê é maluco cê é doidão?
Leio tudo que me dão.
“- Toma aqui.” Eu destruo, engulo tudo.
Qualquer coisa me diverte.
Qualquer coisa me diverte.
(Você vai à festa?)
Eu quero te contar das minhas viagens.
Viajei muito! Tão maravihoso! Tão outra cultura!
Porquê as notas brasileiras trazem onças e macacos
ao invés de grandes homens?
Exporta fácil Brasil.
Então, sai. Quando voltei não tinha mais nenhum amigo.
Talvez não, mas acho que sim.
Às FARC segue a força.
Talvez não, mas creio que que sim.
Às FARC segue a forca.
Talvez não, mas sinto que sim.
O vento que o gato não fez
(Você vai!)
Não sei pra onde, nem sei porquê
PAC PAC PAC
O partido manda lembranças:
(Você. | Você. | Quem | é | você?)
Por enquanto a ditadura é branca,
Mas em breve esta camisa terá manchas!
O prata é a cor do fim!
O PRATA É A COR DO FIM!
Talvez não, mas penso que sim.
(Você nasceu chorando enquanto todos ao redor de ti sorriam. Vive, portanto, de modo que possas morrer sorrindo, enquanto todos ao redor de ti fiquem a chorar. Família Alberto Monteiro da Fonseca)
Ainda estou me inventando como outra modalidade de gente
(Você e eu)
Apague sua luz e pense no planeta.
Cultive o silêncio.
O preto é a cor do inverno.
Sempre existiu o risco
De ser a última.
(Você e eu atado. Nós)
quando o fim coroa o meio
com cravo ou trevo ou flor
queimar pode ser
cinzas
ou nascer
(Agora nós vamos abrir pra perguntas. Alguém tem alguma pergunta?AL-GUÉM-TEM-AL-GU-MA-PER-GUN-TA?)
Você tem. Você não tem. Você tem. Você não tem.
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