sexta-feira, 29 de maio de 2009
Manifesto Reverso
Só no caminho, Rocha,
um ser humano que precisou avançar 21 anos no tempo para entender que as notas de uma realidade jamais podem ser levadas como referência.
Evidentemente, escrever não é uma tarefa, pois se trata, antes de qualquer coisa, de uma confissão, pública, da insignificância, própria.
Se há alguma beleza neste ato, está apenas nos olhos de quem cega.
Cega na essência do verbo secar, na cegueira de ser e sentir.
O outro pode ser simplesmente cópia
O outro pode ser simplesmente cópia
Todos nós sentimos
Todas mesmas coisas
Mas interpretamos
de modo igual ou semelhante.
Em sumo,
Quem você são?
Quem você são?
E o tempo assim se perde numa tarde cinza de um dia inerte
como poeira e mofo fingindo ser confete, no ar,
e a hora nem se mexe
enquanto os ponteiros tecem
a desordem cronológica do caos,
que o leitor chama de mundo.
Contar novas verdades todo o tempo? Mentira.
Criar o NOVO! NOVO! o tempo inteiro? Privada.
Daí nasço. Cresço. Ou o mundo encolhe. Brega, é lógico.
Caso contrariada. Giro Madame Ismo. Sobrenome comum de homens comuns.
E passo a atender por ismos,
publico manefastos,
levanto bandeiras negras,
cavermeias,
e brancas, e negras again.
De fato, a visão romântica do artista como pensador e detentor de um posicionamento crítico é uma antiga, e boa, piada, tão velha quanto o nada.
Acima de tudo, sou pó.
Súuspensa no ar, sou pó.
Igual a você, sou pó.
É, estou tentando fazer um filho com você.
Agora.
Mas nenhum filho que tive
chegou ao fim da vida,
viveu até a morte.
Por tê-la
em mente,
tenha que Eu sou nada,
nunca serei nada
e desposso querer nada.
À parte disso, tenho em mim todos os cílios do mundo.
Eu vejo.
E bem.
Embora tenha acabado de me conhecer,
eu te conheço a muito tempo.
“Com@ um biscoito dá sorte!”
CUIDADO
com aqueles que dizem conhecer,
a muito ou pouco tempo,
algo ou alguém.
As palavras repetidas dez mil vezes,
Viram filhos, ou girafas, ou pepinos,
Por isso as pessoas vivem.
Com medo e a culpa, mais ninguém se importa.
Ao invés de criar, clonar.
Ao invés de criar, fingir.
Ao invés de criar, suicidar.
Ao invés de criar, resfriar.
Ao invés de criar, releituras.
Criança, você não fala,
mas imita.
a verdade existe
seus limites são
morte ou sal
vamento.
Eu não moraria contigo mais um tempo,
mas ainda pode se esconder
debaixo da cama e da pasta de fotos.
Casa me queira,
Pense em dormir sem meias
E sonhar que vai .
Escute os sons de um amor que não deu certo,
Que são todos
Ou nenhum.
É preciso estar apaixonado?
Viver não é.
Faça nada da sua vida preferida e atualize todo o nada todo dia.
Altere os seus ouvidos numa frase,
de modo que as pessoas sempre digam
coisas que não fazem
que não pensam
que não vão.
Onde escutar "viajei em uma estrada cheia de lírios",
Entenda "Passei o dia tentando acompanhar lírios,
mas eles sempre iam para o outro lado".
Entre outras coisas.
Uma lista dos melhores momentos da sua vida demora quanto tempo
Para ser construída?
Uma lista dos melhores momentos da sua vida demora quanto tempo
Para ser rabiscada?
Lembre-se que viver o presente não tem nada a ver com flores
nem regadores
da infância ou de ontem.
Não deixe de amar-te
dos vícios com estilo.
Se ternura é blue
as imagens coloridas
as declarações contém defeitos,
tente pensar em pó
no sol
na noite
não escreva nada sem querer
nem vicie-se em vícios evitáveis.
Prefira os lápis e tenha coragem!
nem vicie-se em vícios evitáveis.
Ao contrário do que se imagina,
ventar o novo bebe em doses de fraqueza.
Acima de tudo,
E abaixo do mar da
Eslovênia
entenda que o presente é por essência
entenda que o presente é por essência
uma nova e revolucionária armação
de óculos de lente sépia
da coleção Ronaldo Fraga
a nova, Primavera-
Vocês-Verão.
E o problema sempre foi
E o problema sempre foi
Sou aquela que erra.
Nada de novo:
as grandes coisas para os grandes,
os abismos para os furos,
as branduras para os duros,
e os tremores para os japoneses,
E EM RESUMO,
as pedras raras para os porcos.
Este manifesto é um manifesto.
Se ouviu ou se leu, problema é seu.
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Releitura de Vicente Pessôa e Ramona Repolês do Manifesto Arte Emergencial, de Marcos Beccari.
sexta-feira, 22 de maio de 2009
.alguma coisa.
Versos, frases, sirenes, lições de moral, tiros no pé, entre outras coisas. Colagens de textos, sons, personagens e lugares. Monólogo com imagens e distorções, deja-vus. Não há caos.
.alguma coisa. é uma performance feita a partir de fragmentos de vidas comuns: diálogos, pensamentos, palavras, frases e peitos lidos e escutados.
Conceito? Qual conceito? Pra quê conceito?
As funções do objeto não são apenas aquelas projetadas.
Calma, calma, calma,
Calma, (...), palmas, palmas, calma, (...)
Alguma coisa.
Tem que levar este cimento lá pra cima.
Tem que subir com este cimento e essa pá.
Pedreiros edificam a casa última daqueles que não mais
o som das ferramentas ritmado evoca tic-tacs do relógio
em meio a tantas pedras e metais,
as pedras retas e os metais formando estátuas;
num tumulo não-feito, a terra cobre
em montes que não lembram a mão humana
trevos nascem, de tamanhos diferentes
alguns com marcas, como é das coisas vivas
e todos eles com três folhas, todos verdes
a sorte
é a mesma
pro que vive
(Você tem 486 amigos)
Essa franja ficou legal.
Bem Malu Magalhães.
Quer cortar sua franja?
Não, sua frase.
(Você tem 487 amigos)
No princípio era o verso.
Qualquer um servia.
Apeguei-me àquele,
que meu pai fumaça.
(Você tem 488 amigos)
Mamãe fiz um poema
juntando um montão de rima;
nenhuma menina me amou.
Me bota na aula de esgrima?
(Você tem 489 amigos)
Não é Freud quem diz
haver relação entre o coice e a mula?
Esse é o problema do ator:
não há tom de voz nessa fala.
(Você tem 490 amigos)
Cri, cri, grita o grilo
se é que o grito canta
e quanto mais canta o grilo
mais a lua levanta
(Você tem 491 amigos)
Sinto a barba nascer
como o pingar da pia
gota a gota ao esgoto
cabelos à luz do dia
(Você tem 492 amigos)
Aurora siga a cinza
enquanto há pigarro
o canto do grilo esfumaça
descendo o primeiro carro
(Você não sou eu)
O frentista muda de carro várias vezes ao dia.
O artista muda de cara várias vezes ao dia,
O artista bananeiro pensa, pensa...
Primeiro a plástica, depois a presidência.
(Você tem 911 amigos)
Luís,
agora dê-me as Chávez da usina e do porto.
Que Moral és esta?
A lhama, este jumento andino.
(Você tem um foro de amigos)
O ministério da saúde adverte:
fumar causa câncer de votos.
E aí barrigudo,
parou por não ter camisinha?
“O preço da liberdade é o eterno delito.”
Miguel Reale Júnior
(Você tem 913 amigos)
Deus, parece que tem um elefante aqui.
Fotos de Guarapari?
Não, de Cabo Frio.
Um tiro na cabeça é mais educativo
Quem reage amigo é.
(Você tem 20 mil amigos)
Se o Gmail explode
ficarei sem pernas.
Mesmo os meus amores,
Eu me esquecerei.
(Você tem um milhão de amigos)
Certamente esta cidade
é cinza, ou quase.
Tem uma vírgula caindo
(Você tem um bilhão de amigos)
Cumprindo seu dever
tombou por São Paulo.
Ampare-o, Senhor.
(Você tem seis bilhões de amigos)
sobe tranqüila e entorta
num salto
sobre a porta.
(Você tem quantos | amigos quer)
- Agora vem a hora que eu falo um monte de coisas soltas, que ninguém entende, e o som é tão alto que é impossível perceber ou perguntar...
Eco / eco /seco / eco / seco / seco
Simples | Mente | Belo | Belo | Filho | Olho
Olho | Filho | Belo | Belo | Mente | Simples
Concreto Arnaldo: um saco.
Tem que levar este concreto lá pra cima?
(Você tem uma irmã e uma meia.)
Você está com pressa? Não, eu ando rápido.
Você tem medo de escuro? Não, de pessoas.
Você é artista? Não como a sua mãe.
Você é artista? Depende de quem vê.
(Você não sou eu quando eu sou você.)
Alguma coisa entre ombigo
Alguma coisa entre o umbigo e a garganta
Lavar, secar, picar, fritar, pra depois cozinhar:
logística do quiabo.
Cadeira é uma arma difícil.
(Você tem amigos)
Desvio ao nariz vermelho
desvio ao olho vermelho.
Um dia eu fumei maconha
E sinto: virei artista.
TROCA
Um dia eu fumei artista
E sinto: virei maconha.
TROCA
Mamãe, fiz um poeta
Juntando um montão de guimbas.
TROCA
(Você tem amigos!!)
Eu acredito... por amor
Palácio dos sentidos não é uma organização militar,
muito menos uma seita apocalíptica,
mas uma casa de leilões
de porcos.
De doido e de louco todo mundo tem um porco.
De doido e de louco todo mundo tem um corpo.
Ah... A legislação contempla isso.
Idiota vaias em vão.
(Você e os seus amigos)
Penso muito no fim, às vezes.
(Você é um doidão mesmo)
Penso muito no fim, às vezes.
Vamos nos encontrar
Melhor morrer de câncer que afogado
Vamos nos ver
Cada musica tem seu caráter.
Vamos tomar uma
Cê ta achando que só porquê cê é maluco cê é doidão?
Leio tudo que me dão.
“- Toma aqui.” Eu destruo, engulo tudo.
Qualquer coisa me diverte.
Qualquer coisa me diverte.
(Você vai à festa?)
Eu quero te contar das minhas viagens.
Viajei muito! Tão maravihoso! Tão outra cultura!
Porquê as notas brasileiras trazem onças e macacos
ao invés de grandes homens?
Exporta fácil Brasil.
Então, sai. Quando voltei não tinha mais nenhum amigo.
Talvez não, mas acho que sim.
Às FARC segue a força.
Talvez não, mas creio que que sim.
Às FARC segue a forca.
Talvez não, mas sinto que sim.
O vento que o gato não fez
(Você vai!)
Não sei pra onde, nem sei porquê
PAC PAC PAC
O partido manda lembranças:
(Você. | Você. | Quem | é | você?)
Por enquanto a ditadura é branca,
Mas em breve esta camisa terá manchas!
O prata é a cor do fim!
O PRATA É A COR DO FIM!
Talvez não, mas penso que sim.
(Você nasceu chorando enquanto todos ao redor de ti sorriam. Vive, portanto, de modo que possas morrer sorrindo, enquanto todos ao redor de ti fiquem a chorar. Família Alberto Monteiro da Fonseca)
Ainda estou me inventando como outra modalidade de gente
(Você e eu)
Apague sua luz e pense no planeta.
Cultive o silêncio.
O preto é a cor do inverno.
Sempre existiu o risco
De ser a última.
(Você e eu atado. Nós)
quando o fim coroa o meio
com cravo ou trevo ou flor
queimar pode ser
cinzas
ou nascer
(Agora nós vamos abrir pra perguntas. Alguém tem alguma pergunta?AL-GUÉM-TEM-AL-GU-MA-PER-GUN-TA?)
Você tem. Você não tem. Você tem. Você não tem.




